Pesquisa mostra que apenas 2,9% dos sites brasileiros foram aprovados em todos os testes de acessibilidade, o que representa uma violação do direito de pessoas com deficiências
12/jun/2026
O Brasil tem apenas 2,9% dos sites aprovados em todos os testes de acessibilidade – característica que permite o acesso de pessoas com deficiência a notícias. É o que mostra uma pesquisa realizada pela BigDataCorp em 2024. Pela lei Nº 13.146, promulgada em 2015, o direito à inclusão da pessoa com deficiência está garantido, mas isso, no caso de sites jornalísticos, ainda está longe de se tornar realidade. A contradição foi exposta por Carla Beraldo, jornalista e idealizadora do Protocolo Reverta de Acessibilidade, durante a oficina “Acessibilidade em sites jornalísticos”, realizada no Festival 3i 2026, ocorrido no Rio de Janeiro entre os dias 29 e 31 de maio.
Carla explicou que a acessibilidade dos sites é a primeira barreira para uma participação cidadã da pessoa com deficiência, já que sem isso ela não consegue ter acesso aos conteúdos. A pesquisa da BigDataCorp mostra que 90% dos sites governamentais, 96,1% dos sites educacionais, 97,3% dos blogs e 96,6% dos sites de notícias analisados apresentaram algum problema de acessibilidade. Mesmo que o site insira um intérprete de libras ou legendas ele ainda não é considerado acessível, pois como apontou a especialista, a acessibilidade engloba muitos aspectos: “Uma pessoa com deficiência visual precisa de um tipo de recurso diferente de uma surda, ou uma que não tem deficiência, mas tem daltonismo, por exemplo”.
Beraldo apresentou boas práticas no desenvolvimento de sites para que se tornem acessíveis a todos. Para conferir se a página da Web corresponde aos critérios de acessibilidade basta colocar o link no site Acess Monitor.
Todas essas medidas fazem com que o leitor de tela, ferramenta utilizada por pessoas com deficiência visual, consiga trabalhar em um fluxo contínuo e rápido. Caso a página não esteja de acordo com os critérios mencionados acima, algo que era para ser simples acaba gerando frustrações, pois a leitura é interrompida, deixando a pessoa sem acesso ao conteúdo.
Mesmo que o site ou aplicativo seja todo acessível, o acesso ainda não é completamente garantido, pois as deficiências também carregam interseccionalidades. Carla explicou que, se a pessoa pertence a outros grupos minoritários, ou seja, se for pobre, preto e pessoa com deficiência, por exemplo, o nível de dificuldade do acesso aumenta.
Beraldo também demonstrou que a acessibilidade é importante mesmo para pessoas que não têm dificuldades em acessar os conteúdos. “Por exemplo, a gente está assistindo um vídeo no Instagram em um ônibus, ou no metrô e está sem fone. Se o vídeo tem legenda, você consegue entender”, explicou. Segundo ela, saber que a acessibilidade vem para melhorar a vida de qualquer pessoa quebra muitos dos preconceitos envolvendo pessoas com deficiências, sendo este o maior desafio para que a acessibilidade seja cumprida mesmo que seja um direito.
Reportagem produzida por estudantes de jornalismo para o Foca no 3i, parceria de cobertura do Festival 3i 2026 com ESPM-Rio, PUC-Rio, UERJ e UFRJ.
Foto em destaque: Zô Guimarães (@zoguimaraes_foto)/Hapu Coletivo (@hapucoletivo).