NOTÍCIA

Festival 3i 2026: como jornalistas podem identificar o greenwashing

Oficina debateu os desafios e as possibilidades do no jornalismo de soluções para a temática socioambiental

POR Maria Eduarda Galdino, da Uerj | Edição e supervisão: Prof. Fernanda da Escóssia |

15/jun/2026

A pauta ambiental e os seus desafios foram destaque na oficina sobre jornalismo de soluções no Festival 3i 2026. Maristela Crispim, editora chefe da Eco Nordeste, explicou a importância de cultivar fontes sólidas e especializadas para que o jornalista não caia no greenwashing, a chamada “lavagem verde”, termo usado para definir práticas de marketing empresarial e governamental que promovem uma imagem irreal de sustentabilidade, sem aplicações evidentes.

Além disso, a jornalista revelou seu incômodo ao receber diversas propostas para fazer matérias sobre empresas com baixo desempenho socioambiental durante a COP 30, realizada no Brasil ano passado. “Não dava para acreditar que uma mineradora que está destruindo o estado do Pará está beneficiando mulheres indígenas”, disse Maristela.

A jornalista afirmou que, apesar das demandas imediatistas do jornalismo, é necessário investigar detalhadamente especialistas e empresas que propõem a pauta ambiental para os veículos. Também reforçou a importância do estudo dos fenômenos naturais e demais nomenclaturas que envolvem o jornalismo ambiental.

“Quando chega perto de junho (quando se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente), todo mundo é ecológico, todo mundo faz coisas maravilhosas. E aí eu comecei a criar critérios para selecionar. Você já tem resultados? Quando você tiver, volta e a gente conversa”, relatou a jornalista.

Segundo uma pesquisa conjunta do Instituto Akatu e da Market Analysis sobre greenwashing no Brasil em 2025,  73% dos brasileiros acreditam que as empresas que exageram ou enganam sobre suas iniciativas sustentáveis e os impactos ambientais de seus produtos deveriam ser penalizadas. O setor de cosméticos e higiene ficou em primeiro lugar na percepção do público sobre produtos enganosos, enquanto os eletrônicos e materiais de limpeza estão em segundo e terceiro, respectivamente. 

Outra pesquisa do mesmo instituto, intitulada “Greenwashing no Brasil: Um estudo sobre as alegações ambientais nos produtos Edição 2024”, mostrou que 85% das alegações ambientais em produtos vendidos no país são falsas ou enganosas. Com destaque para produtos de limpeza, construção civil e eletrônicos.

Durante a oficina, Daniel Nardin, diretor executivo e editor chefe da Amazônia Vox, citou o jornalismo de soluções como ferramenta complementar no combate aos desafios das pautas climáticas. Jornalismo de soluções é um campo que abrange reportagens prioritariamente voltadas para contar, além dos problemas, caminhos possíveis para resolvê-los. O jornalista afirmou que, ao abordar os problemas sociais com contextualização e solução baseada em evidências, é possível educar o leitor e fugir de uma matéria que se renda ao greenwashing das empresas ou institucional.

Nardin usou como exemplo do jornalismo de soluções uma reportagem da Amazônia Vox sobre a baixa assistência de pré-natal em comunidades ribeirinhas da Amazônia. Além de relatar os problemas de baixa cobertura, o jornalista mostrou o desvio positivo, ou seja, os municípios que estão melhorando em relação aos índices de realização de pré-natal e como outras regiões ribeirinhas podem melhorar suas condições. Dessa forma, a matéria não somente expõe o problema, mas também uma forma de buscar uma solução.

Reportagem produzida por estudantes de jornalismo para o Foca no 3i, parceria de cobertura do Festival 3i 2026 com ESPM-Rio, PUC-Rio, UERJ e UFRJ.
Foto em destaque: Natália Cesar (@natvcesar)/Hapu Coletivo (@hapucoletivo).