NOTÍCIA

Festival 3i 2026: Especialistas abordam o impacto como ponto de partida para um jornalismo mais participativo

Daisy Okoti, editora de Impacto na Nation Media Group, Elizabeth Otálvaro, codiretora executiva do Mutante, e Jazmín Acuña, cofundadora do El Surtidor, propõem definições e metodologias de mensuração de impacto no Jornalismo

POR Ana Beatriz Barbosa, da PUC-Rio | Edição e supervisão: prof. Itala Maduell |

03/jun/2026

Em um contexto em que há uma ampla discussão entre o que motiva o fazer jornalístico e de que forma ele se insere nos territórios, pensar o impacto se torna o ponto de partida para alcançar respostas. Esse foi o tema principal da mesa “E se o impacto fosse o ponto de partida do que publicamos?”, realizada no primeiro dia do Festival 3i 2026, no hub de inovação Porto Maravalley.

O debate reuniu três mulheres especialistas no tema: Daisy Okoti, editora de Impacto na Nation Media Group, Elizabeth Otálvaro, codiretora executiva do Mutante, um veículo de comunicação premiado com o Prêmio Rei da Espanha como melhor meio ibero-americano em 2024, e Jazmín Acuña, cofundadora do El Surtidor, um veículo que busca conectar e inspirar a ação por meio da informação. Com mesa mediação da jornalista Carla Miranda, editora do Estadão, cuja trajetória inclui experiência na formação de novos profissionais e em edição multiplataforma, a mesa abordou visões de jornalismo de impacto, metodologias diversas, etapas necessárias para medir o fenômeno e a importância da documentação.

A visão sobre o impacto no jornalismo é composta por diferentes perspectivas. Para Daisy Okoti, “a certeza do impacto é a evidência de que o jornalismo cumpriu a sua promessa”. Ela o define em três níveis: macro, quando uma investigação gera mudanças políticas ou institucionais; intermediário, ligado à resposta de instituições a uma reportagem; e micro, quando leitores ou espectadores relatam como uma história os ajudou ou os conectou a uma solução. Segundo a editora, o jornalismo, em sua essência, já é impacto, o que permite inclusive diferenciar veículos – e, por isso, é importante que esse impacto possa ser medido. Manter um medidor de impacto, aliado a um trabalho colaborativo, é essencial para alcançar a missão do jornalismo de transformar a sociedade, afirmou Daisy.

Elizabeth Otálvaro compartilhou como o modelo de jornalismo participativo, não focado em números e quantidade, mas sim em participação e impacto, está no coração do Mutante. Como exemplo, ela compartilhou o case da editoria especial #HablemosdeHPV, construído para apoiar mulheres que sofrem com estigmas e desinformação sobre a doença. Este tornou-se um dos conteúdos mais visitados do Mutante, e um de seus impactos foi a criação de uma rede de solidariedade. “Essa comunicação não precisa de nós; precisa de cada uma entre elas”, afirmou Elizabeth. 

A cofundadora do El Surtidor defendeu que a documentação é algo essencial para dar presença e visibilidade do impacto no jornalismo, tornando-o mais duradouro e tangível. “Se você não documenta, não existe”, alerta Jazmín Acuña. Para além da importância de registrar, ela também destaca a necessidade de desenvolver tecnologias que auxiliem nesse processo. Segundo Jazmin, embora medir impacto seja uma das necessidades do jornalismo, a falta de tempo e a dificuldade de ter momentos para pensar sobre ele e documentá-lo ainda são obstáculos.

Diversas etapas necessárias para avaliar o impacto foram mencionadas pelas especialistas durante a discussão. Entre elas, os principais caminhos passam por saber definir, capturar, gerar evidências e integrar o impacto à cultura jornalística. Assim, é possível contar com esse ativo para reafirmar o compromisso do jornalismo com o interesse público.

Reportagem produzida por estudantes de jornalismo para o Foca no 3i, parceria de cobertura do Festival 3i 2026 com ESPM-Rio, PUC-Rio, UERJ e UFRJ.

Foto em destaque: Zô Guimarães (@zoguimaraes_foto)/Hapu Coletivo (@hapucoletivo).