Festival 3i Nordeste: Trabalho em rede do jornalismo independente amplia difusão de conteúdos e promove impacto social

Profissionais destacaram o papel das tecnologias digitais na colaboração entre organizações jornalísticas no Norte e Nordeste do Brasil

Por Clarice Queiroga e Heron Enzo, da Unifor (Universidade de Fortaleza)*

A segunda mesa do Festival 3i Nordeste apresentou projetos de redes de trabalhos que atuam no Norte e Nordeste do Brasil. Foto: Micaela Menezes (@micaelamesant).

As dificuldades e a importância da criação de redes de colaboração para o jornalismo digital e como o financiamento pode ajudar nas construções de pautas. Este foi o foco da segunda mesa de debate “Trabalho em rede”, na programação do Festival 3i, na Universidade de Fortaleza (Unifor). O encontro ocorreu no campus da universidade na última sexta-feira, 1º de dezembro.

O debate contou com a participação de Nayara Felizardo, da Cajueira, Géssica Amorim, do Coletivo Acauã, e Ana Paula Santos, da Amazônia Vox. As três destacaram a relevância e a necessidade da criação de redes de colaboração para o jornalismo digital.

A mediação ficou com a jornalista Carol Monteiro, uma das cofundadoras da Marco Zero, em Recife. Ela destacou que o trabalho em rede “demanda esforço, pois é necessário gerenciar pessoas, culturas e organizações diversas. E isso não é fácil, mas o resultado é sempre mais rico e diversificado”, disse.

Trabalhos em rede

Ana Paula, integrante da Amazônia Vox, ressalta que o mundo fala muito sobre a Amazônia, e que a Amazônia precisa ser mais ouvida. ”É neste sentido que nasce uma plataforma inovadora, formada por fontes de conhecimento amazônicas e disponibiliza ainda um formulário de busca no banco de cadastro de freelancers da região”, afirma.

O Amazônia Vox é um banco de fontes para jornalistas, veículos de imprensa e assessorias, criado pelo Instituto Bem da Amazônia, uma entidade sem fins lucrativos que promove a comunicação e protagonismo amazônico. Ana Paula explica que a plataforma funciona de três formas: banco de fontes locais (científico, tradicional e da sociedade civil), hub de freelancers (comunicadores indígenas, ribeirinhos e quilombolas) e produção de conteúdo com destaque para iniciativas locais da Amazônia e com base no jornalismo de soluções.

Géssica Amorim, fundadora do Coletivo de jornalismo independente Acauã, comenta que o projeto surgiu como parte do seu trabalho de conclusão em Comunicação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).  “O propósito é discutir o jornalismo local e os desertos de notícias em Betânia e Flores, municípios no Sertão do Moxotó e Sertão do Pajeú”, em Pernambuco, disse.

A fundadora diz que acredita que o coletivo Acauã tem proporcionado às pessoas no Sertão do Pajeú e do Moxotó a oportunidade de se reconhecer nas informações consumidas, despertando uma atenção maior para os problemas e questões locais.

Nayara Felizardo, cofundadora da Rede Cajueira e jornalista investigativa do Intercept, ressalta a importância da construção de um banco de fontes nordestino que conta com mais de 2 mil especialistas da região.  “A Rede Cajueira é uma plataforma que promove mais conexão, alcance e formação para projetos de mídia independente no Nordeste”, diz.

Carol Monteiro, Ana Paula Santos, Nayara Felizardo e Géssica Amorim no Festival 3i Nordeste Foto: Micaela Menezes (@micaelamesant).

Participantes

Géssica Amorim, jornalista e fotógrafa, formada pela Universidade Federal de Pernambuco, fundadora do coletivo de jornalismo independente Acauã, com foco na produção jornalística local no Sertão de Pernambuco.

Nayara Felizardo, cearense, cofundadora da Cajueira, uma plataforma que divulga veículos de jornalismo independente do Nordeste, defende a diversidade regional na imprensa e luta contra os estereótipos da região na mídia.

Ana Paula Santos, advogada formada pelo Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), pós-graduada em Direitos Humanos pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e graduanda em jornalismo pela Universidade da Amazônia. 

Carol Monteiro, cofundadora da Marco Zero Conteúdo, site de jornalismo independente e investigativo do Recife, é jornalista, mestra e doutora em Design pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Além disso, é diretora das Escolas de Comunicação e de Gestão, Economia e Política da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e atualmente preside o conselho deliberativo e executivo da Ajor.

*Reportagem produzida por estudantes de jornalismo para o Foca no 3i, parceria de cobertura do Festival 3i Nordeste entre a Ajor e a Unifor (Universidade de Fortaleza).

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